sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

DEUS É O TERROR DOS INOCENTES!?!?!?!?!!!!


Mais uma vez começamos o ano assistindo pela TV notícias de tragédias causadas por enchentes e catástrofes naturais, que de naturais não tem nada. A incompetência e a falta de caráter de nossos políticos é que é responsável por tantas mortes. Na cidade de São Paulo o poder público não tem a menor idéia de quantas e quais áreas estão sendo ocupadas com risco para a população, se a prefeitura pretende construir uma escola na periferia, quando chega ou terreno apontado pela base de dados como local para obra, os técnicos sempre são surpreendidos por uma ocupação no terreno. A base de dados da prefeitura é totalmente desatualizada, com fotos de mais de dez anos. O crescimento da cidade é desordenado porque não há investimento em recursos técnicos para que se planeje alguma coisa. Nosso prefeito, como todos os governantes, esta mais interessado em viabilizar despejos, desocupações e repressão, e não esconde o desejo de se livrar de uma população que consideram inútil e perigosa. É fato que a Zona Leste sofreu um boicote violento para que se agilize a desocupação das áreas de várzea do Tietê, e deixaram alagar mesmo que para que todos fujam de lá. Se Deus é o terror dos inocentes a diferença entre ele e o Bim Laden é que Deus usa água. Ironicamente o terrorismo da natureza é tucano, democrata etc... Mais de cinco mil famílias serão removidas, justamente aquelas que deram ibope para os telejornais carniceiros.
Feliz 2010.
confira mais informações sobre este assunto: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/12/461119.shtml

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010, por pouco não chegamos!!!

Por Pouco (Mundo Livre S/A)

Estamos quase sempre otimistas
Tudo vai dar quase certo
Pois o ano esta quase acabando
Depois de termos quase certeza
Que dento em breve teremos um quase
Alegre carnaval
Por pouco não trouxemos o penta
Quase acertamos na loto
Quase compramos a casa
Quase ganhamos o carro
A moça da banheira ficou quase nua
A gostosa da praia quase dá, não dá
Quase dá, não dá mole, não
Pro pouco não ganhamos o Oscar
Quase ficamos no emprego
Quase pagamos a dívida
Quase evitamos a falência
A moça da banheira ficou quase nua
A gostosa da praia quase dá, não dá
Quase dá, não dá mole, não
Contribuintes não contam
Torturadores não sentem
Esculturas de lama não morrem
Jornalistas mortos não mentem
Votamos no quase honesto, pois quase confiamos nele
Acabamos de entrar pelo cano
Por pouco não reagimos, quase nos revoltamos
Mas quase confiamos na justiça e na sorte

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Brasil queima! A imprensa mente...


Enquanto a imprensa não consegue perder o foco na comédia bufa do senado federal, o Brasil queima. Os jornalistas, como bobos da corte, entretêm a sociedade com as intrigas e fofocas da corte brasileira, discutem factóides da política nacional com intenções claramente políticas de transformar em campanha contra a corrupção, seu apoio incondicional ao PSDB e Democratas – na verdade é uma campanha anti-PT. Toda a lama que o jornalismo chafurda acaba por desembocar nos tucanos e democratas e, sem nenhuma vergonha, a imprensa abafa o caso para não respingar na oposição ao Lula.
Estamos entre a cruz e a espada ou entre a ditadura do centro e o fascismo ultraliberal. Até Ciro Gomes tira proveito dos descontentamentos à esquerda do governo Lula, querem tirá-lo da presidência junto com Sarney, mas para colocar quem no lugar? As propostas e projetos mais destoantes infelizmente só agradam parcelas da classe média que o fundo não tem representatividade e peso relevante, afinal de contas que é que vota pensando em meio ambiente? O brasileiro vota pensando na fome e na polícia, na casa e na saúde e para aqueles que atacam as políticas sociais dizendo que benefício é facilitar demais e que induz a preguiça, a reforma eleitoral que veta ampliação de políticas como o Bolsa Família vem a calhar.
Por hora os que se indignam com a violência policial, com os maus tratos e injúria, pela exclusão e discriminação, explodem em fúria queimando ônibus e enfrentando o Choque. A rede Globo, inquestionavelmente apoiando Serra, publica uma matéria absurda sobre os conflitos em Heliópolis – região da cidade que interessa à mídia apenas quando há um fato de violência, se as ruas não pegam fogo os jornais nem lembram que faltam escolas, telecentros, empregos e creches – apontando como verossímil a promessa de cestas básicas para quem da comunidade que participasse da manifestação, ainda enfatizando: "Até o momento as cestas básicas não foram distribuídas". Como se a morte da adolescente de 17 anos fosse irrelevante diante do fato. Incendiar pneus é o mínimo que a sociedade precisa fazer para devolver com asco e rancor o que as elites vem nos ofertando há séculos.
Vamos provocar tumultos e incêndios não só em resposta a violência direta do Estado, mas visando também os despautérios da reforma política, o insulto da reforma da educação, que transforma o ensino médio em núcleo socioeducativo com oficininhas e aulas fantasia – com a desculpa da interdisciplinariedade – e principalmente devemos jogar pedra na vidraça do descaso de um Estado que é grande pra bater e inexistente para acolher. A mídia segue se preocupando com os escândalos da corte e injuriando a população, deslegitimando suas manifestações mais justas, como baluartes da moralidade acusam a todos de bandidos e mentirosos, nesse sentido talvez seja ai o único momento em que políticos e pobres estão no mesmo patamar: quando difamados nos jornais.
Quem é inteligente não acredita em nada da grande imprensa e nem perde tempo discutindo a celeuma das elites políticas que reformam por debaixo do pano enquanto nos distraímos lendo a Veja.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

APOSENTADORIA DE MALADRO


A rede Record, há meses, tem enaltecido a imagem de Dado Dolabella – aquele que agrediu Luana Piovani e se esquivou da justiça – chegando ao ponto de fraudar o programa “A Fazenda” e dar um milhão de prêmio para o ator para recuperar sua imagem, mesmo que seu mau caráter fosse impossível de esconder. Os outros contratados da emissora estão proibidos de fazer declarações que manchem o nome de Dado. Eu me pergunto: por que será que uma emissora evangélica elege como representante um playboy descabeçado, que bate na mulher e é conhecido por seus “exageros” na balada? Ele não passa do estereótipo de uma geração conservadora e machista que se destaca pela incapacidade de produzir ou criar algo de bom, ou seja, uma geração de inúteis.
Depois de escândalos, o contratado da emissora chegara ao fundo do posso, mas milagrosamente, fez-se a luz em sua vida! Parabéns para a Record, ótima estratégia, Dado é o típico malandro aposentado – by Jesus – perfil muito presente no protestantismo contemporâneo. Todas as pessoas têm uma chance, se encontrar a palavra de Deus, estudar a palavra de Deus e propagar a palavra de Deus, até o mais tranqueira vira bom moço. Afinal todos nós erramos. A conversão de Dado vai acontecendo aos poucos, canta uma música aqui, elogia a emissora ali, até o dia em que esteja totalmente iluminado.
Se o poder da Globo só aumenta, a Record acelera em disparada, essa briga ainda vai render muito. Mas... e o povo? Continua levando na bunda, refém das gigantes das telecomunicações e sem direito a voz. A imagem que esta sendo construída do ator pode representar muitas coisas, mas nada que seja de interesse da sociedade. O trabalhador brasileiro só aparece na Tv como burro de carga, bandido ou pobre coitado. Já ta na hora de reeditarmos “Muito além do cidadão Kane” com todas as emissoras no paredão, convenhamos, a Record não é nem melhor ou pior que a Globo, Bandeirantes ou mesmo a Mtv, é tudo farinha do mesmo saco! O crescimento da Record não representa o crescimento da representatividade de uma parcela da sociedade que antes não tinha espaço, só parece. Os valores elitistas são os mesmos, com ou sem religião, que na verdade é um problema da política, nenhuma grande emissora faz a gentileza de deixar claro a favor de quem e o que ela se posiciona, fingem estar em cima do muro e de lá de cima, seus falsos heróis discursam água. Agora Dado é exemplo a ser seguido – que lástima...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

GREVE, REPRESSÃO, FRUTAS E GOSTOSAS!!!

Nesta terça-feira passava em frente à prefeitura de São Paulo no centro da cidade, pude presenciar a manifestação dos servidores da GCM por reajuste de salário. Demorei em descobrir do que se tratava aquela movimentação. Na verdade, pela importância da questão o ato estava morno, não vi cartazes nem faixas. Alguns metros dali tudo já parecia normal, prossegui até a Praça São Luiz e logo notei outra aglomeração, bem mais animada. Em frente ao café papito, em cima de uma komb, um homem segurava uma melancia, bitela! Duas mulheres semi nuas ajudavam a animar a galera e um cara no meio da roda fazia pose de halterofilista e recebia as melancias na cabeça, elas se esmigalhavam, o cara gritava e a galera ia ao delírio! E laiá, isso é Brasil! Muita coisa e muita gente. Mais em frente na República, a PM corria atrás dos nóias.

O que estes três fatos têm em comum?

A GCM é claramente colocada e uma posição inferior entre as polícias, e a bucha de canhão, servem para correr atrás de ambulantes, enxotar moradores de rua dos espaços público, correm atrás de usuários de droga apenas para não deixa-los fixos em um lugar e principalmente servem máfia das carroças. Para quem não conhece, essa máfia apreende as carroças dos catadores de recicláveis, leva até um depósito para depois serem revendidas aos próprios carroceiros que secam suas economias para poder continuar trabalhando, ao mesmo tempo que a guarda confisca documentos e objetos pessoais. A GCM é sempre chamada para fazer o trabalho mais sujo, os guardas são jogados contra a população, sem capacitação, apoio técnico ou mesmo recursos matérias, não tem condições razoáveis nem de garantir sua própria segurança. Com as operações fascistas de revitalização do centro, que condena a vadiagem e a aglomeração – como no caso da República relatado acima – a Pm é chamada para intervir. Quando a opinião pública se aquece a GCM já não serve mais. Melhor para eles que se livram de atuar de forma repressiva nestes momentos. A greve, como todas as greves, é justa e não deveria ser considerada ilegal em hipótese alguma. Quem acha que greve é ilegal mina o próprio direito de um dia fazer greve, por mais que uma greve incomode a rotina da cidade ela é sempre legítima, pois diz respeito ao direito de greve em geral e incomodar a rotina é uma de suas funções. Paradoxalmente até camelôs tem reclamado que com a paralisação da Guarda a concorrência aumenta e as vendas caem.
A prefeitura de São Paulo segue no seu intento de gera miséria e violência través da repressão desmedida. Esta semana mais de três mil pessoas foram arrancadas de suas casas e jogadas na rua em desocupação de um terreno próximo a marginal Tietê. As casas e barracos foram destruídos e incendiados, a polícia agrediu os moradores do local que protestavam contra o absurdo e a violência desta reintegração de posse e nada lhes foi oferecido. O poder público apresenta soluções ridículas como encaminhar as famílias para albergues, centenas de crianças agora se encontram em situação de extremo risco e vulnerabilidade social por culpa da prefeitura, se por um lado a repressão policial desaba sobre os moradores de rua do centro, por outro lado mais famílias são colocadas em situação de rua.
Enquanto a GCM quer mais salários a população quer mais liberdade, quer direito a moradia e trabalho, é notória que a política social do prefeito Kassab é equivocada ou mesmo ridícula, tanto a Guarda quanto todos os outros profissionais da área das políticas sociais são mal pagos e, no caso de educadores sociais, não tem benefício algum, nem insalubridade. Sem projetos habitacionais, psicossociais e educativos o Democratas segue esmagando a população na miséria para depois trata-la como caso de polícia.
Mas e a melancia? Acreditando que a movimentação nas ruas é uma antecipação do carnaval, a sociedade segue atenta às bundas, para aliviar a pressão do trabalho e na folguinha do almoço esquecer os problemas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Igreja Universal da democracia de Deus! Se eu não for pro céu, posso pedir reembolso?


Nas sociedades ocidentais contemporâneas, sob regimes democráticos, a categoria mercado tem presença marcante na organização do trabalho, do consumo, da cultura e na política. Sua lógica penetra em todas as esferas de interação social, influenciando todo tipo de prática, individual ou coletiva, tendo a competição como característica fundamental. Assim também é na política, ganhar uma eleição não é muito diferente de vender um produto, o marketing político hoje tem espaço privilegiado nas estratégias partidárias e a competição entre as bandeiras se da no contexto de uma indústria de bens culturais. Isto posto, fica mais fácil identificar quais as questões relevantes no que toca aos escândalos da Igreja Universal.
Para além da querela entre a Globo e a Rede Record existe uma problemática política importante. O que se tem noticiado com freqüência, e o que o Ministério Público investiga, é o fato de a igreja estar ludibriando seus fiéis investindo o dinheiro das doações em negócios privados, no intuito de enriquecer os bispos ou para bancar uma emissora de Tv. Será que este fiéis realmente foram enganados, ou é de interesse também deles de que haja uma emissora de Tv em rede aberta que defenda seus valores, onde podem assistir a cultos e ouvir mensagens? Talvez a estrutura montada com o dinheiro dos fiéis seja bastante coerente com os seus anseios. Afinal a doutrina da Universal é claramente voltada para o sucesso material, sua ética está de acordo com as necessidades de ascensão e segurança dentro de um contexto de competição capitalista. Sua disciplina está voltada para o sucesso material em vida, em troca das doações promete-se a bênção da mobilidade social. Doa quem quer, acredita quem precisa, e se a massa de crentes aumenta a cada dia, é porque a promessa da religião parece mais palpável que as promessas da democracia.
No entanto, hoje assistimos a uma invasão político partidária, por pessoas ligadas às religiões evangélicas, no mercado político nacional. Os fiéis votam cegamente em seus bispos e pastores. Nossas eleições, marcadas pelo autoritarismo e pela manipulação, ficam ainda mais reféns de contornos corporativistas. O voto acrítico dos fiéis em seus representantes da mensagem de Jesus é de longe muito mais preocupante que o fato de Edir Macedo ter ou não desviado dinheiro das doações. E de que forma a sociedade brasileira assiste a cooptação do mercado político pelo messianismo religioso? Como pensar em democracia quando as religiões – e o catolicismo se inclui neste balaio – condicionam o voto do cidadão? As formas como o discurso religioso se cruza com o político é que devem estar na agenda de debates da sociedade. E justamente por ser uma questão não só relativa aos evangélicos é que se colocam panos quentes – afinal, partidos cristãos não são nenhuma novidade – e justamente por tocar nas raízes dos problemas de nosso mercado político, ha muito corporativista e populista, para não lembrar do cabresto, é que não se fala das ligações entre política e religião, assim não se põem em cheque a legitimidade das instituições democráticas. Sustentando a democracia como mito ou valor. Mas e a democracia de fato?
Um provável resultado de toda esta celeuma seria o direito de um fiel, que declara ter sido lesado, poder reaver na justiça doações realizadas, o que é justo, mas não foge da lógica de entranhamento das religiões com o mercado. Fica ai a questão: a religião deve se confundir com a política???

sábado, 15 de agosto de 2009

O dilema ético da Cracolândia! Operação empurra ou violação de direitos?

Viva o Centro, Nova Luz, Luz Nova e agora Luz Viva, os nomes mudam, mas a situação não muito. As estratégias desesperados da prefeitura de São Paulo para revitalizar a região da Luz onde encontramos a chamada Cracolândia, não conseguem ir além de operações policiais, girando em círculos, o poder público custa a assumir um trabalho preventivo. As soluções focadas na população de rua, que se encontra no centro, não passam de paliativas e mesmo midiáticas. Em quanto não forem propostas soluções nas comunidades, o fluxo de pessoas para as ruas do centro não se interromperá. Todos que se encontram em situação de rua e freqüentam o circuito das drogas no centro têm uma história, estão lá por algum motivo e certamente, em se tratando de crianças e adolescentes, já passaram pelo filtro da rede de serviços assistenciais ou escolas. A imensa maioria desses jovens tem prontuários nos conselhos tutelares ou processo de longa data na vara da infância. O poder público há muito tempo esta avisado que algo não ia bem com estas famílias, suas histórias estão registradas em pasta gordas que os conselheiros morrem de preguiça de ler, como se estivessem esperando uma tragédia acontecer para assim abrigar filhos desamparados da miséria. Na prática pouco o conselheiro pode fazer, quando sente que esgotou os seus recursos encaminha o caso a justiça, que é lenta e está muito distante das histórias de vida em questão. Se na medida em que através da escola e do conselho tutelar a família vai avisando de suas dificuldades – falta de creche, envolvimento de um dos filhos com a justiça, abuso de substancia e mesmo a fome e falta de assistência médica e psicológica. A rede de serviços e a justiça parecem assistir de camarote o pior acontecer, os filhos irem para a Cracolândia, os pais perderem a saúde para o trabalho, em fim, a desagregação total dos laços familiares e comunitários.
Os jornais não param de noticiar o vai e vem das ações policiais na área, e a baixa adesão às soluções via saúde mental, enfatizam que a maioria dos usuários de crack rejeita o tipo de ajuda oferecida, dando voz aos comerciantes a favor da internação compulsória, solução rejeitada inclusive por Januário Montone, secretário municipal da Saúde de São Paulo que chamou de “desastrada” a operação que recolheu centenas de moradores e rua e encaminhou – de baciada – para os serviços de saúde. Parece-me que para opinião pública a operação é apenas um empurra empurra, de manhã a polícia expulsa as pessoas da luz que se refugiam nos arredores – “Vim pra cá porque estão batendo na gente lá.” Durante a tarde a Praça da República fica lotada, a polícia vem os espalha e dentro de uma hora tudo está como antes, até a polícia passar lá de novo, a rotina também não é fácil para os oficiais, pressionados para agir de forma truculenta, muitos tem certeza de que isso não resolve. Os comerciantes do centro cobram uma recuperação desses indivíduos, mas pouco sabem quais as dificuldades envolvidas, há uma grande falta de opções de serviços para esta população, para crianças sem família nenhuma só lhes restam os abrigos onde não há vagas, aliás uma opção pouco encorajadora.
Não podemos cogitar a hipótese de internar compulsoriamente, só se estivéssemos na Alemanha Nazista, o Estado esteve ausente durante toda a vida dessas pessoas, ignorando seus pedidos de ajuda, deixando ao deus dará famílias inteiras, mão de obra barata para serviço porco e pesado que não encontrou no poder público a segurança almejada da modernidade. Agora que as elites querem se livrar da gentalha sobressalente, atacam sua liberdade sem oferecer nada em troca, querem trancar os viciados, retirar a guarda dos filhos de famílias na miséria - como se abrigar uma criança fosse alguma garantia de futuro – e principalmente esconde-los em guetos, culpabilizando-os por sua condição, condenando-os a objeto da repressão disfarçada de operação de revitalização. Hoje a saúde esta no olho do furacão, a Secretaria de assistência Social percebeu que não vale a pena atuar conjuntamente com a polícia, inviabiliza seu trabalho, os agentes de saúde, as buchas de canhão da vez, não estão devidamente capacitados e subsidiados em sua rotina de trabalho ( quando um agente presencia um assassinato, lhe oferecem um cafezinho e um intervalo de alguns minutos ). Se a rede de serviços que podem desenvolver um trabalho preventivo, que evite que as pessoas procurem as ruas, a droga e o crime, não aumentar consideravelmente sua oferta e principalmente que as demandas identificadas sejam trabalhadas, que demandas escondidas sejam identificadas através de um trabalho pró-ativo do sistema de garantia de direitos, a população de rua não parará de aumentar. Não deixemos que o debate em torno desse tema descambe para a supressão de direitos e para o fascismo, não importa se a pessoa é nóia ou ladrãozinho de bolsa, são todos filhos do descaso do poder público, que agora deve assumir sua responsabilidade na recuperação e fortalecimento destes cidadãos e não simplesmente tentar varre-los para debaixo do tapete. Ta ai o dilema ético em questão, devemos aceitá-los em suas condição e ao mesmo tempo oferecer incondicionalmente alternativas para suas vidas e pra um novo futuro.

Palavras da Cracolândia!